Buscar por:  

Assine o RSS Artigos

Voltar 21/11/2014 - Valor Econômico

PRODUÇÃO INDUSTRIAL

Por Mark Magnier e Richard Silk

A atividade industrial chinesa caiu em novembro para seu menor nível em seis meses, de acordo com dados preliminares, aumentando a pressão para que Pequim adote mais medidas para estimular o crescimento, à medida que a segunda maior economia mundial segue enfraquecendo no quarto trimestre.

Segundo dados divulgados ontem pelo HSBC Holdings e pela firma provedora de dados financeiros Markit, a atividade industrial da China tem permanecido estável neste mês. O volume de novos pedidos de exportação, um raro ponto positivo nos últimos meses, também enfraqueceu, juntamente com o emprego, embora o total geral de novas encomendas tenha apresentado alguma melhora.

"Nós ainda vemos incertezas nos próximos meses vindas do mercado imobiliário e das exportações", escreveu o economista do HSBC Hongbin Qu, em nota. "Achamos que o crescimento ainda enfrenta significativas pressões descendentes e que mais medidas de afrouxamento monetário e fiscal devem ser adotadas."

A leitura preliminar do Índice dos Gerentes de Compras (PMI) da indústria chinesa elaborado pelo HSBC mostra queda de 50,4 em outubro para 50,0 em novembro, segundo o banco e a Markit. Acima de 50, ele indica expansão ante o mês anterior, enquanto abaixo de 50 sinaliza contração.

O dado se junta a vários outros indicadores fracos divulgados nas últimas semanas. O crescimento anualizado do PIB desacelerou para 7,3% no terceiro trimestre, seu ritmo mais lento em mais de cinco anos, consequência do fraco crescimento do crédito, menor expansão dos investimentos e queda no mercado imobiliário. O crescimento dos empréstimos em outubro recuou para 12,9% em relação a um ano antes, o menor desde 2006, enquanto os investimentos em ativos de renda fixa avançaram 15,5% no período de janeiro a outubro, a menor expansão desde 2001.

As autoridades chinesas provavelmente vão manter a atual meta fiscal e a política monetária, dizem economistas, embora a pressão para que medidas mais fortes sejam tomadas esteja crescendo, incluindo um corte na taxa de juros ou uma redução nas reservas de capital que as instituições financeiras devem manter no banco central.

"Eles ainda querem focar em medidas inovadoras. Eles ainda querem ser criativos", afirmou o economista do OCBC Bank, Dongming Xie. "As chances de cortes são definitivamente maiores, apesar de eles estarem um pouco relutantes."

Sinalizando que o governo está acompanhando de perto a desaceleração do crescimento, Xu Shaoshi, presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o principal órgão de planejamento da China, disse em uma reunião interna que a economia enfrenta crescente pressão de queda em 2015, segundo nota publicada no site da comissão na quarta-feira.

No mesmo dia, o Conselho de Estado, o gabinete chinês, apresentou várias medidas que visam ajudar as empresas menores a ampliar seu acesso ao crédito, reduzindo os custos dos empréstimos e expandindo o acesso a divisas estrangeiras.

O crescimento do crédito tem sido decepcionante neste ano, apesar dos esforços de Pequim para injetar capital nas empresas privadas. O Conselho de Estado anunciou na quarta-feira que faria um "uso inovador" das reservas cambiais estrangeiras do país para apoiar a economia real, mas não forneceu detalhes. As reservas cambiais estrangeiras da China somavam US$ 3,89 trilhões no fim de setembro.

Economistas dizem que, apesar dos desafios em várias frentes econômicas, Pequim ainda tem alguma margem de manobra até que precise de medidas amplas de estímulo - o que o governo teme que possa elevar os empréstimos ruins e ampliar o excesso de capacidade. Mas essa margem de manobra está vinculada à manutenção do nível de emprego, ponto que é considerado a principal prioridade.

Do lado do crédito, a China melhorou recentemente a liquidez dos mercados monetários, provocando uma alta no mercado de títulos, dizem economistas, embora o afrouxamento não tenha chegado de forma efetiva aos mercados de crédito e à economia real. Um dos problemas, dizem eles, é que as empresas ainda estão relutantes em fazer empréstimos ou realizar investimentos de capital enquanto a economia está enfraquecendo. E os bancos estão preocupados com a possibilidade de crescimento da inadimplência.

"Quando você fala sobre o baixo crescimento dos empréstimos, existe o lado da demanda e o da oferta. Os dois lados estão com problemas", disse Xie, do OCBC. "O primeiro semestre do próximo ano continuará sendo um desafio para a China", acrescentou.

O resultado preliminar do Índice dos Gerentes de Compras, chamado HSBC Flash China PMI, é baseado em cerca de 85% a 90% das respostas totais da pesquisa feita todos os meses e divulgada aproximadamente uma semana antes do índice final. (Colaboraram William Kazer e Grace Zhu.)


by vm2

ABIMAQ - Associação Brasileira da Indústria de Maquinas e Equipamentos.
2019 Todos os direitos reservados.

Rua: Santa Luzia, 735 - sala 1201 - Centro - CEP: 20.030-041 - Rio de Janeiro - RJ
Tel: (21) 2262-5566
E-mail: srrj@abimaq.org.br