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Voltar 02/06/2014 - Diário do Comércio

Embraer nasceu da determinação de um menino que tinha o sonho de voar

Embraer nasceu da determinação de um menino que tinha o sonho de voar
Ozires Silva foi um dos palestrantes do Crio 2014

Contada a milhares de pessoas há mais de 40 anos, a história de criação da Empresa Brasileira de Aeornáutica S.A. (Embraer) continua inspirando empreendedores em todo o Brasil. No início desta semana foi a vez de Belo Horizonte ouvir direto do fundador, Ozires Silva, o relato do nascimento dessa empresa, que teve a inovação como berço em uma época em que não se ouvia falar muito nessa palavra. A palestra foi uma das atrações do Crio 2014, evento realizado pela Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), com o apoio do DIÁRIO DO COMÉRCIO.

Fundada em 1969, a Embraer nasceu de um sonho do engenheiro Ozires Silva, quando ele ainda era adolescente. Influenciado por um suíço foragido da Segunda Guerra Mundial, ele tinha o desejo de construir aviões. "Ficava me perguntando: o que aconteceu conosco se tínhamos Santos Dumont? Por que o mercado de aviação foi tomado pelos americanos e pelos franceses?", lembra. O menino de Bauru, no interior de São Paulo, acabou entrando para a Força Aérea Brasileira (FAB) e depois se formou como engenheiro aeronáutico no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).


Quem fica muito na dúvida não embarca na aventura da criação de um negócio, afirma Ozires Silva/Arquivo DC

O processo de criação da Embraer começou quando ele e outros engenheiros do ITA perceberam que, em oito anos, o Brasil diminuiu de 350 para 45 o número de cidades atendidas pelo transporte aéreo. O motivo é que os novos jatos existentes na época precisavam de aeroportos com infraestrutura maior e, por isso, não eram comportados em pequenos municípios. "Foi então que perguntamos: as pequenas e médias cidades do futuro não vão ter transporte aéreo? Claro que vão, mas com que avião? Então vimos que não existia nenhum fabricante no mundo com esse foco e começamos a pensar em um avião que atendesse às pequenas áreas", relata.

Ozires Silva destaca que a ideia foi muito criticada por estrangeiros e por pessoas que ele chama da "turma do deixa disso". Ainda assim prosseguiu no objetivo até conseguir o apoio da Presidência da República e criar a Embraer, hoje reconhecida como uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo. O avião sonhado pelo engenheiro ganhou o nome de Bandeirante e foi sucesso de venda nos Estados Unidos, que também enfrentavam o problema de levar o transporte aéreo para cidades pequenas.

Ousadia - "Nós, brasileiros, temos mania de ver dificuldade e não as possibilidades, mas quem fica muito na dúvida não embarca na aventura da criação de um negócio", avisou Ozires Silva logo no início de sua palestra. Para o fundador da Embraer, falta aos empresários brasileiros um pouco mais ousadia para se lançar em novos mercados, bater de frente com a concorrência estrangeira e criar algo que se torne uma necessidade mundial.

Ele destaca que se o país não fizer isso vai ser sempre o último da fila, tendo em vista que os outros já estão se articulando nesse sentido. Como exemplo, ele cita os produtos chineses e coreanos que estão em todas as cidades brasileiras, mas o contrário não acontece. "Estamos exportando matéria-prima a preço baixo e, por outro lado, sofisticando nossa importação, comprando coisas mais caras. Como vamos pagar essa conta?", questionou.

Para Silva, o país não cresce porque está contribuindo pouco com produtos de valor no mercado internacional. "Compramos tudo de fora, mas quando o assunto é exportar é uma dificuldade: somos um país fechado", avalia. Ele também criticou a frase do governo federal que diz que país rico é país sem pobreza. " só isso? Não, país rico é país de riquezas e isso só é possível por meio da educação", frisou.

O fundador da Embraer destacou que, diante desse cenário, o brasileiro precisa ser tomado por uma inquietude. Ele lembra que a competência e o talento são características generalizadas, portanto o empresário precisa encontrar uma forma de ser diferente. "Steve Jobs fez um produto que não existia e assim criou uma necessidade para as pessoas. Criatividade e inovação são as palavras que resumem o que precisamos para o momento que vivemos hoje", conclui.

by vm2

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