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Voltar 03/02/2016 - O Estado de S. Paulo

Indústria tem maior queda

Indústria tem maior queda desde 2003

Em meio à baixa confiança de consumidores e empresários, aocrédito mais caro e à deterioração no mercado de trabalho, a indústria teve em2015 seu pior ano em mais de uma década. A produção recuou 8,3%,a queda maisacentuada da série histórica da Pesquisa Industrial Mensal, iniciada em 2003,apontou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IB-GE). Detodos os 26 setores, apenas a indústria extrativa se salvou da retração.

 

Quando se volta mais ao passado, nas séries antigas do órgão,um tombo maior só foi visto em 1990, quando a indústria caiu 8,9%. Mas osresultados guardam algumas diferenças metodológicas. “A cesta de produtos eradiferente, com pesos diferentes”, disse o gerente da Coordenação de Indústriado IBGE, André Macedo. “Mas o resultado é o oficial da época.”

Após um desempenho tão negativo, as esperanças de que a atividadeindustrial se recupere em 2016 são pequenas. Embora o segundo semestre possareservar notícias melhores, segundo alguns economistas, a percepção é de que ademanda continuará fraca, com consumidores apertando o cinto e empresáriosadiando investimentos.  

 

As projeções para o ano vão desde queda de 3%, em “um cenáriootimista” segundo a consultoria Tendências, até recuo de 8%, para a GOAssociados.

A desvalorização do real, que torna os produtos brasileirosmais baratos lá fora, pode ser um ingrediente positivo em meio à conjunturaperversa. Mesmo assim, os frutos só devem ser colhidos a médio prazo.“Precisamos entender que o câmbio não ficou valorizado por apenas seis meses.Manteve-se valorizado por 13 anos”, disse o presidente da Associação Brasileirada Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato

Nesse período, segundo o executivo, o empresário brasileiro,já não muito inclinado a exportar, voltou-se ainda mais para o mercado interno,que agora perdeu fôlego. “A perda de mercado no exterior foi muito grande e pormuitos anos. Agora, a reconquista de mercados no exterior será um trabalho duroe muito longo”, afirmou Barbato.

Em 2015, a alta de quase 49% no dólar até ajudou alguns setores,como o de celulose, mas também prejudicou outros, como o farmacêutico, queimporta boa parte da sua matéria-prima. “O câmbio não é suficiente parareverter todo esse desempenho de queda visto ao longo do ano passado”, disse Macedo.

Queda disseminada. O setor de veículos foi o grande protagonistada queda na produção industrial em 2015, segundo o IBGE. O recuo da atividadechegou a 25,9% no ano passado. Mas não foi a única queda expressiva. Osequipamentos de informática e produtos eletrônicos, por exemplo, levaram um tombode 30%.

Ao todo, 25 segmentos tiveram retração na atividade, e 78,3%dos 805 produtos investigados pelo órgão foram produzidos em menor quantidade.Mesmo a indústria extrativa, que vinha bem ao longo de 2015, acabou perdendofôlego no fim do ano por conta do acidente com as barragens da Samarco emMariana (MG) e à greve petroleiros em novembro.

 

“O consumo está estagnado, as famílias estão endividadas. Issonão vai mais ser motor da economia. Tem de crescer por meio do investimento. Épreciso estabilidade e credibilidade”, disse o economista Bernard Gonin, da RioGestão de Recursos.

O grande problema é que a produção de bens de capital, queserve de termômetro do apetite por investimentos, teve o pior resultado entre ascategorias, com retração de 25,5% em 2015. “Isso mostra um aumento deociosidade da indústria, o que posterga a retomada do setor”, avaliou oeconomista Rafael Bacciotti, da Tendências.

Apenas em dezembro, a produção encolheu 0,7% ante novembro,a sétima taxa negativa consecutiva, segundo o IBGE.

Trata-se da maior sequência de baixas já registradas nasérie. /COLABORARAM FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, MARIA REGINA SILVA e MATEUSFAGUNDES.

 

 

 

 

 

 

by vm2

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