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Voltar 17/07/2019 - Diário do Comércio

A INDÚSTRIA E A PREVIDÊNCIA

JOÃO CARLOS MARCHESAN*

Fabricantes de bens de capital,que apoiaram a reforma previdenciária desde o início, torcem e trabalham parauma tramitação mais rápida do projeto nas duas casas legislativas, para que oPaís, uma vez eliminado o perigo de um crescimento explosivo da dívida pública,possa se dedicar integralmente em recuperar o tempo perdido, retomando ocrescimento econômico e criando empregos e renda.

A confirmação da notícia de um PIB negativo, no primeiro trimestre de 2019, após o IBGE ter anunciado, há mais de um mês, a queda da produção da indústria, confirma a estagnação da economia brasileira, num momento em que a posse de um novo governo criava expectativas de retomada de um crescimento sustentado, que era estimado, no começo de 2019 , em algo próximo a 3% ao ano.
Na realidade o novo governo recebeuo País em condições fiscais difíceis, com um déficit nominal de mais de 5% doPIB, uma dívida pública elevada e, pior, crescente. A equipe econômica escolheupriorizar o ajuste fiscal, onde a reforma previdenciária tem, certamente, umaimportância capital. Assim, todas as esperanças de crescimento foramsubordinadas à aprovação rápida de uma robusta reforma da Previdência.

Os fatos, por motivos diversos,não correram como previsto. A tramitação do projeto na Câmara sofreu atrasos eestá sendo objeto de modificações que podem reduzir a potência fiscal daeconomia projetada. Esta realidade, de certo modo inesperada, reduziu ootimismo do mercado, o que se reflete na redução do preço dos ativosbrasileiros, em depreciação cambial e na paralisia dos investimentos.

Neste cenário os fabricantes debens de capital, que apoiaram a reforma previdenciária desde o início, torcem etrabalham para uma tramitação mais rápida do projeto nas duas casaslegislativas, para que o País, uma vez eliminado o perigo de um crescimentoexplosivo da dívida pública, possa se dedicar integralmente em recuperar otempo perdido, retomando o crescimento econômico e criando empregos e renda. Coma aprovação do projeto, a indústria brasileira espera uma reversão nas atuaisexpectativas, com o aumento da confiança, tanto dos empreendedores quanto dosconsumidores, a redução do risco-País, face à recuperação da solvibilidade dascontas públicas no longo prazo e, por consequência, uma ulterior redução dosjuros básicos, fatores necessários a um ambiente favorável ao crescimento.

Como dissemos, são todos fatoresnecessários para criar condições propícias a um novo ciclo de desenvolvimento,mas a aprovação da reforma da Previdência, de per si, não será suficiente paradar a partida ao processo. A equipe econômica, sem se descuidar doacompanhamento do processo legislativo, deve simultaneamente implementar açõesque estimulem a atividade econômica.

Será necessário diminuir oendividamento das famílias e das empresas, com crédito mais fluido e forteredução dos spreads bancários, bem como reduzir os custos da intermediaçãofinanceira nos empréstimos do BNDES às pequenas e médias empresas tornando osinvestimentos mais atrativos e estimular a demanda, com a retomada das obraspúblicas paradas, utilizando parcialmente as receitas não recorrentes,provenientes de privatizações e concessões.

Os fabricantes de bens de capitalestão cientes que o progresso do País depende de uma união de esforços. Talcomo apoiaram e apoiam a reforma da Previdência, desde já, se colocam àdisposição da equipe econômica para ajudar a detalhar as sugestões acimaelencadas e para auxiliar na implementação das medidas de desburocratização edesregulamentação que estão sendo propostas pelas diversas secretarias doMinistério da Economia.

* Administrador, empresário epresidente do Conselho de Administração da Abimaq

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