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Voltar 28/11/2019 - Valor Econômico

Sem reduzir custo Brasil

Sem reduzir custo Brasil, tarifa menor afeta renda e emprego, diz indústria


A redução de impostos de importação não resultaria automaticamente em mais dinheiro no bolso de consumidores e empresas, avaliam entidades ligadas à indústria. O ponto é que, sem uma diminuição equivalente do custo Brasil, a livre concorrência com importados resultaria em desindustrialização e perda de empregos, com consequente retração da massa de renda disponível para consumo.

Além disso, os potenciais efeitos negativos não ficariam restritos às famílias, avaliam os representantes do setor produtivo. A desindustrialização também geraria perda de arrecadação para o governo e retração do investimento.

Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) diz que as elevadas tarifas de importação adotadas no Brasil levaram consumidores e empresas do país a pagar R$ 149 bilhões a mais nos bens comprados em 2016.

“De que adianta ter produtos sem Imposto de Importação para uma população que não tem como comprar, se ela não tiver emprego?”, questiona Carlos Abijaodi, diretor de desenvolvimento industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Ele argumenta que o Imposto de Importação não é uma proteção à manufatura, mas uma compensação pelas deficiências da estrutura econômica brasileira. Entre elas, o representante cita a carga de quase 45% de impostos pagos pelo setor, as deficiências de infraestrutura e o elevado custo de contratação no país.

“A indústria representa 52,7% das exportações brasileiras, 62% do investimento em pesquisa e desenvolvimento, 26% da arrecadação de tributos federais e 20% da arrecadação previdenciária. Como ficaria o governo sem essa contribuição?”, diz o diretor da CNI. “São 6,4 milhões de trabalhadores no setor, que, por exigir uma não de obra mais capacitada, paga melhores salários.”

Para Abijaodi, a redução de custo ao consumidor e às empresas deve ser buscada através de uma abertura comercial planejada, com a celebração de acordos bilaterais com outros países e regiões, a exemplo do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), além daqueles pretendidos com Estados Unidos, Japão, México e Canadá. Outro ponto fundamental é o avanço da reforma tributária.

José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), avalia que, enquanto não houver combate ao custo Brasil, o país terá que conviver com a “deformação” que é o imposto de importação elevado. “A falta de competitividade não foi criada pela indústria, ela é dada pelo Estado”, diz, citando a carga tributária, juros altos ao tomador e encargos trabalhistas.

“O ministro da Economia, Paulo Guedes, está no caminho correto”, avalia Velloso, lembrando da redução da Selic, diminuição do custo de capital de giro e dólar em novo nível de equilíbrio “industrializante”, num ambiente sem inflação.

“A economia vai sendo colocada no lugar, mas a abertura comercial e a redução das alíquotas de importação têm que ficar para uma outra hora”, afirma ele. “Somente depois de ser resolvido o problema da competitividade, da redução dos juros na ponta e da diminuição da carga tributária, o Brasil vai estar preparado para tirar suas amarras e fazer uma abertura comercial gradativa.”

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