Buscar por:  

Assine o RSS

Voltar 20/07/2016 - ABIMAQ - Informaq

INFORMAQ

“SEM INVESTIMENTO NÃO HÁ CRESCIMENTO”

A partir dessa premissa, João Carlos Marchesan assume apresidência do Conselho da Administração da ABIMAQ / SINDIMAQ, com o compromissode dar continuidade a todas as ações que defendem o setor de máquinas eequipamentos do país

Em meio a um cenário caótico vivenciado pela economia dopaís e, especificamente, pela indústria de má- quinas e equipamentos, JoãoCarlos Marchesan assume a presidência do Conselho de Administração da ABIMAQ /SINDIMAQ com o desafio de atuar junto às esferas política do país no sentido derecuperar os investimentos para manter a representatividade e força políticaque a entidade conquistou ao longo de sua existência.

Nas vésperas de completar 80 anos, a ABIMAQ continuatrabalhando incansavelmente na luta pela retomada da competitividade do setorde bens de capital mecânicos, diminuição da ociosidade das fábricas e aumentoda participação da indústria nacional no mercado externo.

Devido às ações, conquistas e aos eficientes serviços que aentidade presta, a ABIMAQ tem mantido o número de associadas e empresasrepresentadas, mesmo com o cenário adverso da economia. Este é um dos objetivosde Marchesan, que concedeu entrevista ao jornal Informaq apresentando sua visãosobre a atual conjuntura, os propósitos de sua gestão e as ações em curso quedará prosseguimento, em defesa da indústria de máquinas e equipamentos:

Informaq: Quaisos problemas decorrentes do atual cenário econômico?

Marchesan:Estamos em um país onde o setor público paga quase 10% do PIB ao ano em juros eo setor privado, outros 10%, en- quanto o “grosso” da indústria está endivida-da, com problemas fiscais e legais, com pas- sivos trabalhistas em montantesdifíceis de avaliar, inserida em uma enorme cadeia de inadimplência econvivendo com um governo que está pensando em aumentar impostos e com um setorbancário que não percebeu ainda que está matando sua galinha de ovos de ouro.

Informaq: Qualdeverá ser o caminho adotado pelo poder público para a retomada do crescimentodo país?

 Marchesan: A saída para o Brasil voltar a crescer é o investimentona indústria de transformação por conta de seu maior valor agregado e pelosmaiores ganhos de produ- tividade. O país não vai crescer com serviços oucomércio. Temos em nossa agenda de Po- lítica Industrial o plano de renovaçãodo par- que industrial brasileiro. Somente será pos- sível com financiamentoscompetitivos em um ambiente de retomada do crescimento. Mas, para isso,precisamos resolver dois te- mas incluídos na agenda da ABIMAQ: (1) a ampliaçãodos prazos de recolhimento de im- postos e contribuições, e (2) a escassez e ocusto do capital de giro vigente no mercado (dois grandes fatores que levam asempresas à inadimplência fiscal). O refinanciamento dos débitos tributários éigualmente impor- tante porque somente com a regularidade fiscal as empresas(do setor e suas clientes) têm acesso aos financiamentos oficiais como os doBNDES, condição indispensável para quando houver demanda.

Informaq: Noâmbito macroeconômico, quais são as políticas de desenvolvimento que a ABIMAQentende serem recomendadas para o Brasil?

Marchesan:Políticas que tenham foco no desenvolvimento tecnológico, na inovação, naprodutividade e em uma maior competitivi- dade da indústria brasileira precisamde um ambiente macroeconômico favorável ao in- vestimento produtivo ou, aomenos, de um ambiente que não lhe seja hostil.

Informaq: Quaissão as condições para tornar viável esse tipo de política?

Marchesan: Énecessário que o governo atue sobre quatro pilares: Câmbio com baixavolatilidade e mantido competitivo. Nós de- fendemos que o governo defina apolítica cambial por meio de um órgão específico (COPOC - Comitê de PolíticaCambial), explicitando as metas e os objetivos capazes de as- segurar acompetitividade da produção e o consequente equilíbrio das contas externas,delegando ao Banco Central apenas a execução desta política.

Outro pilar é a manutenção da inflação baixa e estável,fator indispensável para o ambiente de negócios. A ABIMAQ acredita que ogoverno deve adotar uma política fiscal responsável, com limitação de gastospúblicos em relação ao PIB, e eliminar todos os resquícios de indexação aindaexistentes em tarifas ou preços administrados, em salários e em todos oscontratos públicos e privados.

O terceiro é a implementação de juros adequados. Enquanto seganha 15 a 16% ao ano sem qualquer risco, não teremos investi- mento no setorprodutivo. A ABIMAQ defende a necessidade de mudanças na atual políticamonetária para torná-la eficaz, sendo que o Banco Central precisa eliminar aSELIC adotando uma taxa de juros de curto prazo, neu- tra ou negativa emrelação à inflação e deixando ao mercado a definição da taxa de juros de longoprazo.

O último fator é a adoção de carga tributária menor, poisnós estamos, pelo menos, dez pontos percentuais acima da média dos países em estágiode desenvolvimento semelhantes ao Brasil. A ABIMAQ acredita que uma reformatributária que reduza a carga e simplifique o modelo tributário melhoraráconsideravelmente a competitividade sistêmica do país.

Informaq: Quaissão as propostas da ABIMAQ para que o país adote uma efetiva PolíticaIndustrial?

Marchesan: Recentemente,entregamos às diversas instâncias do governo uma agenda com apontamentos detemas relacionados à competitividade, mercado externo e tecnologia, com arespectiva fundamentação e propostas, que devem ser trabalhadas pelo poderpúblico para a definição de uma Política Industrial que realmente colabore coma retomada dos investimentos e o cresci- mento do país.

Informaq: Emrelação ao mercado externo, quais são as propostas da ABIMAQ?

Marchesan: Câmbiocompetitivo, ou seja, acima de 3.80 R$/US$, é essencial, bem como a disponibilidadede financiamentos em volume e custos adequados, tanto para a produção como paraa venda ao cliente. O REINTE- GRA (Regime Especial de Reintegração de ValoresTributários para as Empresas Exportadoras), em valores que compensem os impostosnão recuperáveis, embutidos em nossos preços, deve ser mantido enquanto areforma tributária não eliminar sua necessidade. De- fendemos ainda a revisãodos Regimes Especiais, excluindo os que não mais se justificam e eliminando,nos restantes, seu viés importador; a necessidade do fortalecimento dosinstrumentos de inteligência artificial, a revisão do modelo de concessão deEx-tarifários e das alíquotas do imposto de importação para adequá-las à suafunção de garantir uma proteção efetiva à produção nacional.

“Precisamos tratarcomo prioritário o planejamento do Brasil que queremos para as próximasgerações, sendo que a indústria de bens de capital e as sugestões elencadas nanossa agenda serão os pilares para a recuperação”

Informaq: No quetange tecnologia, quais os pontos contidos na agenda apresentada pela ABIMAQ?

Marchesan: Nósdefendemos o desenvolvimento do Programa Inova Máquinas, integrando eaprimorando os instrumentos de apoio disponibilizados pela FINEP (Financiadorade Estudos e Projetos), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico eSocial), CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) eCAPES (Coordenação de Aperfeiçoa- mento de Pessoal de Nível Superior), parapromover o aumento da competitividade de produtos, serviços e soluções emmáquinas e equipamentos e a integração com as em- presas brasileiras em áreasprioritárias e estratégicas da Política Industrial; fomento à inovação, de modoa rever o Estatuto dos Fundos Setoriais, transformando-os de FundosOrçamentários (sujeitos a contingencia- mentos) para Fundos Financeiros (garantindorecursos financeiros para projetos de inovação aprovados nas várias modalidades);e fortalecimento das empresas de engenharia nacional.

No documento, também apontamos a necessidade da elaboraçãode agendas tecnológicas setoriais para os setores estratégicos da cadeia de bensde capital. Outro item importante é a elaboração de diretrizes para políticas eestratégias sobre o desenvolvi- mento da Manufatura Avançada no Brasil, fatoreste que mudará a realidade do país e alterará o eixo do desenvolvimento dasindústrias nacionais.

Em resumo, precisamos tratar como prioritário o planejamentodo Brasil que queremos para as próximas gerações, sendo que a indústria de bensde capital e as sugestões elencadas na nossa agenda serão os pilares para arecuperação dos investimentos e a retomada da competitividade da indústria demáquinas e equipamentos.

by vm2

ABIMAQ - Associação Brasileira da Indústria de Maquinas e Equipamentos.
2017 Todos os direitos reservados.

Av. Jabaquara, 2925 - Mirandopolis - CEP: 04045-902 - São Paulo/SP
Tel: (11) 5582-6368 - Fax: (11) 5582-6379