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Voltar 09/10/2017 - Brasil Energia P&G

ENGENHARIA

Um alento para a engenharia

Em entrevista à Brasil Energia Petróleo, vice-presidente da ABCE comenta a decisão da ANP sobre o waiver de Libra e as perspectivas no mercado de óleo e gás

[09.10.2017] 12h39m / Por João Montenegro

 

Rodrigo Sigaud, vice-presidente da ABCE ( Divulgação )

A decisão da ANP de indeferir o pedido de isenção de conteúdo local para a engenharia básica e de detalhamento do FPSO de Libra foi um alento para uma das áreas que mais têm sofrido com a retração do setor petróleo no país. “É um projeto importante, que gera uma expectativa muito boa”, diz o vice-presidente da Associação Brasileira de Consultores de Engenharia (ABCE), Rodrigo Sigaud, que conversou com a Brasil Energia Petróleo sobre os negócios em andamento e perspectivas para a engenharia nacional na indústria de óleo e gás.  

Como a engenharia recebeu a decisão da ANP sobre o waiver de Libra?

Do ponto de vista da engenharia, fica a percepção de que o contrato está sendo cumprido e que, portanto, a decisão tomada foi a correta. Isso traz alguma luz no futuro próximo, pelo menos em relação a Libra, que é um projeto importante e gera uma expectativa muito boa. É um alento para a nossa área, que tem sofrido muito com o término dos investimentos em refino e no offshore em função do hiato na contratação de blocos exploratórios. 

Existe um receio quanto a uma eventual redução ou mesmo extinção de exigências de nacionalização no contrato da cessão onerosa após sua revisão?

Está todo mundo atento a isso. O risco sempre existe.

Qual sua percepção sobre o resultado da 14ª Rodada?

O que me preocupa é a questão do conteúdo local. Se a situação continuar dessa forma (níveis de exigência previstos para essa e próximas rodadas, conforme a revisão do Pedefor), não temos expectativa grande em relação a trabalhos no Brasil. De qualquer forma, são projetos para daqui a seis, sete anos, porque só entramos mais forte na fase de desenvolvimento.

E se for aprovada a retroação dos índices para os contratos desde a sétima rodada?

Aí não teríamos mais nada, pelo menos no offshore.

Como vão os negócios no refino?

O momento é de investimento muito baixo, basicamente em opex (gastos operacionais). Há poucas unidades novas, como a Snox (Unidade de Abatimento de Emissões, cujo contrato é executado pela Qualiman) da Rnest (Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco) e a UPGN do Comperj. Vamos ver como se desenrola essa unidade; fala-se em um orçamento de R$ 1,5 bilhão, R$ 2 bilhões...

A possibilidade de compras locais para a UPGN poderia ser reduzida se uma empresa estrangeira sair vencedora?

Acredito que pelo menos em elétrica e civil o epecista seria obrigado a contratar aqui. Dificilmente vão conseguir trazer um projeto do exterior pronto que seja aceitável no país, mas em outras disciplinas é possível. No caso das plataformas offshore, quando há financiamento externo, é comum que o empréstimo esteja atrelado ao contrato um percentual de conteúdo local para o país originário do investimento. Isso é muito comum para os chineses. E há expectativa de que isso ocorra com as Fafens (unidades de fertilizantes da Petrobras).

A Petrobras precisa ainda contratar as utilidades da UPGN. Como está esse processo?

Quem fez grande parte das utilidades, que inclui o tratamento de efluentes, vapor, gás, ar comprimido etc., foi o consórcio entre a Toyo, UTC Engenharia e a Odebrecht, mas as obras foram paralisadas. A Petrobras está modelando essa contratação; não sabemos ainda se será um único ou vários pacotes

Existem concorrências em andamento?

Não muitas. Há o trecho terrestre do Rota 3, que já teve propostas apresentadas. Uma das expectativas é pelo relançamento da licitação para a URE (Unidade de Recuperação de Enxofre) da Regap, que teve seu primeiro bid cancelado. Isso faz parte de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com as autoridades ambientais, e casos como esse devem gerar  demanda por algumas novas unidades a fim de atender às exigências. Há outras concorrências menores, mas o fato é que a Petrobras tem conseguido atender boa parte de suas demandas com pessoal interno, em função da redução das atividades em geral.

Como o Sr. encara a perspectiva de abertura do refino para o setor privado?

Seria positivo. É claro que existe um receio de que o fornecimento estrangeiro seja exigido como contrapartida, tanto em termos de equipamentos como de engenharia, mas, entre essa opção ou ficar parado, melhor a primeira. Temos mão de obra qualificada disponível no mercado. Se não houver demanda, cairemos na mesma situação da década de 80. Foi preciso reconstruir tudo a partir dos anos 2000, quando quase não tínhamos mais engenheiros juniors e isso corre o risco de ser perdido.

Na parte naval, espera-se alguma oportunidade no apoio marítimo e cabotagem?

Os barcos de apoio têm seus projetos praticamente todos feitos fora, com poucas adaptações no Brasil, com engenharia da Rolls-Royce e a Ulstein, principalmente. E esse é um segmento que também foi seriamente afetado; estão sobrando barcos. Em termos de Promef, não vejo muito futuro, vide os cancelamentos de encomendas que aconteceram (com os estaleiros Mauá, Vard e Atlântico Sul). Vamos sofrer na área naval.

Fonte: Brasil Energia P&G, 09 out. 2017

by vm2

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