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Voltar 28/08/2015 - Diário do Comércio – MG

ABIMAQ tem proposta para aproveitar o potencial da área de resíduos sólidos

Ideia é que indústrias locais forneçam equipamentos.


Nove meses após o fim do prazo concedido pelo governo federal para que os municípios se adequassem à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), grande parte das cidades brasileiras ainda nem elaborou o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). E tão pouco deu início a algum trabalho de melhoria na gestão e no direcionamento dos resíduos.

A partir dessa lacuna, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) formou grupo com empresas de bens de capitais mecânicos voltadas para a área. A proposta é estreitar as relações com os agentes envolvidos no processo e valorizar o setor. Chamado de Grupo de Trabalho de Máquinas e Equipamentos para Resíduos Sólidos (GTRS), a frente foi criada para atender a demanda de maquinário, que tende a crescer daqui para frente. Pelo menos essa é a expectativa, segundo o coordenador, Paulo da Pieve.

"Apesar de o prazo para adequação ter sido extinto em agosto de 2014, os municípios não estão aplicando a lei. O único trabalho feito é por meio dos catadores, mas por mais que eles trabalhem, a quantidade de lixo gerado é muito superior a essa capacidade. Desde dezembro do ano passado, iniciamos o trabalho no sentido de orientar, articular e até mesmo orientar os agentes de toda a cadeia", explica.

Segundo ele, não apenas as prefeituras, mas também as concessionárias e demais investidores que integrem o processo de destinação adequada dos resíduos estão no foco do projeto. "Sem contar os próprios fabricantes de máquinas e equipamentos nacionais, que poderão ser fornecedoras dessas unidades em todo o País", completa.

Como atualmente a maior parte dos equipamentos utilizados no tratamento do lixo no País é importada, por meio do grupo, a ABIMAQ pretende estimular e incentivar a indústria do setor e atingir o índice de 60% de conteúdo nacional nos projetos de tratamento dos resíduos sólidos urbanos.

Workshop - Para tentar mudar essa situação, o grupo realiza reuniões mensais desde o fim de 2014 e, agora, planeja fazer um workshop na ABIMAQ, em São Paulo, para discussão de aspectos políticos, legais, ecológicos e técnicos. A ideia é promover intercâmbio entre as integradoras, fabricantes de equipamentos e as diversas esferas do governo. "Inicialmente o encontro estava previsto para junho mas, por questões de adaptação, deverá ocorrer em agosto ou setembro", diz.

Também deve haver reuniões itinerantes, nas regionais da entidade no Brasil. Na regional Minas, empresas como Usiminas Mecânica, a Contenco, a Tecnometal, a Steinert e a Tecscan integram a frente e têm trabalhado intensamente no processo.

"Estamos defendendo a indústria nacional, pois temos toda a tecnologia necessária para fazer a triagem, reciclagem e destinação adequada dos resíduos. Em uma planta de triagem de lixo, por exemplo, mais de 90% são de componentes que podem ser fabricados aqui no País. A partir do momento que se enxerga valor no lixo, ele se torna negócio. Queremos difundir a informação e fazer com que o relacionamento de toda a cadeia seja fortalecido", defende Pieve.

De maneira complementar, está sendo elaborado uma bolsa virtual de resíduos que, conforme o coordenador do grupo, deverá ser lançado no início do ano que vem. Neste caso, segundo ele, o objetivo é concentrar em um só endereço no ambiente virtual os resíduos e as informações de todas as empresas certificadas.


Matéria-prima - "O que é lixo para uns pode ser matéria-prima para outros. A bolsa vai permitir a valorização desse conteúdo, por meio da política de resíduos. A partir dessa valorização, conseguiremos viabilizar o mercado de reciclagem no Brasil", aposta.

Dados da última pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, indicam que do total de resíduos descartados de residências e indústrias, apenas 2% passam por triagem e coleta seletiva.

Já as informações do Panorama dos Resíduos Sólidos 2013, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) mostram que aproximadamente 42% do lixo gerado diariamente no Brasil não tem uma destinação ambientalmente adequada, causando grande problema para a saúde pública e para o meio ambiente. A fração restante do lixo, igual a 58% do total, é destinada para aterros sanitários. 
by vm2

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