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Voltar 05/02/2020 - O Estado de São Paulo

ECONOMIA

O de­sa­fio é rein­dus­tri­a­li­zar

O Estado de S. Paulo, Brasil 5 de fev de 2020

Se qui­ser mes­mo con­ser­tar a economia bra­si­lei­ra e re­en­con­trar o ca­mi­nho do fir­me cres­ci­men­to, o governo te­rá de pro­mo­ver a rein­dus­tri­a­li­za­ção do País.

Se qui­ser mes­mo con­ser­tar a economia bra­si­lei­ra e re­en­con­trar o ca­mi­nho do fir­me cres­ci­men­to, o governo te­rá de pro­mo­ver a rein­dus­tri­a­li­za­ção do País. A pro­du­ção in­dus­tri­al en­co­lheu 1,1% em 2019, de­pois de dois anos de ex­pan­são. O par­que in­dus­tri­al bra­si­lei­ro ain­da é um dos no­ve ou dez mai­o­res do mun­do, mas es­tá en­fra­que­ci­do, atra­sa­do e sem po­der de com­pe­ti­ção de­pois de uma lon­ga cri­se ini­ci­a­da bem an­tes da úl­ti­ma re­ces­são. Hou­ve um tom­bo de 18% en­tre o pon­to mais al­to da sé­rie his­tó­ri­ca, atin­gi­do no tri­mes­tre en­cer­ra­do em maio de 2011, e os três me­ses fi­nais do ano pas­sa­do. Olhan­do de bai­xo para ci­ma, tem-se uma no­ção mais cla­ra do es­for­ço ne­ces­sá­rio para re­tor­nar ao to­po. O vo­lu­me pro­du­zi­do te­rá de cres­cer 21,9% so­bre a base do úl­ti­mo fim de ano para che­gar de vol­ta ao pi­co his­tó­ri­co.

Fin­da a re­ces­são, o pro­du­to in­dus­tri­al cres­ceu 2,5% em 2017 e 1% em 2018 e vol­tou a cair no pri­mei­ro ano de man­da­to do pre­si­den­te Jair Bol­so­na­ro. Só em mar­ço se­rá co­nhe­ci­do o pri­mei­ro cál­cu­lo do Pro­du­to In­ter­no Bru­to (PIB) de 2019. As es­ti­ma­ti­vas cor­ren­tes têm apon­ta­do um cres­ci­men­to en­tre 1,1% e 1,2%. O nú­me­ro ofi­ci­al, de to­da for­ma, re­fle­ti­rá o pés­si­mo de­sem­pe­nho da in­dús­tria, já re­fle­ti­do na re­cu­pe­ra­ção mui­to len­ta do em­pre­go, mar­ca­da pe­la in­for­ma­li­da­de e pe­la ex­pan­são de precárias ocu­pa­ções por con­ta pró­pria.

O de­sas­tre da mi­ne­ra­ção, sem­pre lem­bra­do quan­do se co­men­tam os nú­me­ros da in­dús­tria, ex­pli­ca ape­nas uma pe­que­na par­te do no­vo de­sas­tre. Hou­ve queda na pro­du­ção de bens de ca­pi­tal e bens in­ter­me­diá­ri­os e ex­pan­são de 1,1% na de bens de con­su­mo. O exa­me mais de­ta­lha­do mos­tra re­cu­os em 16 dos 26 ra­mos de ati­vi­da­des co­ber­tos pe­la pes­qui­sa, em 40 dos 79 gru­pos e em 54,2% dos 805 pro­du­tos in­cluí­dos no le­van­ta­men­to re­gu­lar.

Em to­dos os tri­mes­tres de 2019 o de­sem­pe­nho foi pi­or que o de um ano an­tes. Es­se ti­po de re­sul­ta­do ocor­reu des­de os três me­ses fi­nais de 2018. Mas o no­vo governo na­da fez, du­ran­te a mai­or par­te de seu pri­mei­ro ano, para ten­tar pe­lo me­nos con­ter o de­clí­nio da in­dús­tria. Os pri­mei­ros es­tí­mu­los só fo­ram apli­ca­dos a par­tir de se­tem­bro, em­bo­ra os nú­me­ros da pro­du­ção e os da­dos do em­pre­go fos­sem mui­to ruins.

Evi­tar mais um voo de ga­li­nha foi a jus­ti­fi­ca­ti­va re­pe­ti­da por mui­tos in­te­gran­tes do Exe­cu­ti­vo, quan­do se ten­tou cha­mar sua aten­ção para o pro­ble­ma. Mas es­sa des­cul­pa dei­xou de va­ler quan­do se tor­nou in­dis­far­çá­vel a ne­ces­si­da­de ur­gen­te de al­gum in­cen­ti­vo. O aces­so a re­cur­sos do Fun­do de Ga­ran­tia (FGTS), ini­ci­a­do em se­tem­bro, aca­bou sen­do pror­ro­ga­do em no­vas con­di­ções.

Se as pro­je­ções do mer­ca­do es­ti­ve­rem cer­tas, a pro­du­ção in­dus­tri­al cres­ce­rá 2,21% em 2020 e 2,50% em cada um dos três anos se­guin­tes. O re­sul­ta­do se­rá um cres­ci­men­to acu­mu­la­do de 7,4% em 2020, 2021 e 2022, fim do atu­al man­da­to pre­si­den­ci­al. No pri­mei­ro ano do man­da­to se­guin­te a in­dús­tria pro­du­zi­rá 2,50% a mais. Fal­ta­rá quase me­ta­de do ca­mi­nho para o re­tor­no ao pi­co de 2011, se se tra­tar ape­nas de re­com­por o vo­lu­me pro­du­zi­do.

Mas o pro­ble­ma é mui­to mais com­pli­ca­do. Além das per­das de pro­du­ção, a in­dús­tria acu­mu­lou em mui­tos anos – pe­lo me­nos des­de 2012 – um enor­me atra­so em ter­mos de tec­no­lo­gia, de ino­va­ção e, por­tan­to, de com­pe­ti­ti­vi­da­de. Is­so é visível no co­mér­cio ex­te­ri­or. Em 2000 as ven­das de ma­nu­fa­tu­ra­dos cor­res­pon­de­ram a 59% do va­lor ex­por­ta­do. Em 2009 a pro­por­ção estava re­du­zi­da a 44%. A par­tir daí a par­ti­ci­pa­ção foi sem­pre in­fe­ri­or a 40%, ex­ce­to em 2016, quan­do es­se nú­me­ro foi re­gis­tra­do. Em 2019 a par­ce­la dos ma­nu­fa­tu­ra­dos caiu para 35%, a me­nor ta­xa des­de o ano 2000.
De vez em quan­do al­gum membro do governo fa­la de pro­du­ti­vi­da­de e com­pe­ti­ti­vi­da­de, mas sem apre­sen­tar mais que va­gas in­ten­ções e idei­as. A ex­pres­são política in­dus­tri­al é evi­ta­da co­mo blas­fê­mia. O dis­cur­so é ge­ral­men­te um re­ci­ta­ti­vo com tin­tu­ras de li­be­ra­lis­mo econô­mi­co e ne­nhu­ma re­fe­rên­cia cla­ra a pla­nos, me­tas e ins­tru­men­tos. Di­an­te dis­so, até as mo­des­tas pro­je­ções de cres­ci­men­to in­dus­tri­al co­nhe­ci­das che­gam a pa­re­cer oti­mis­tas.

Fonte: O Estado de S. Paulo, 05 fev. 2020. Editorial.
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