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Voltar 05/12/2017 - O Globo

INVESTIMENTOS

Estatais só investem 37,4% do planejado

Número de funcionários em empresas como Petrobras, Eletrobras e BB caiu 46 mil desde 2014

“O objetivo é recuperar estatais, reduzir custos e elevar produtividade. Aproximá-las de indicadores de mercado” Fernando Antônio Soares Secretário de empresas estatais do Planejamento

-BRASÍLIA- Enquanto o setor produtivo começa a retomar o investimento, as empresas estatais estão na contramão. Em 2017, houve uma desaceleração nos desembolsos feitos pelas companhias federais. Elas investiram pouco mais de um terço do que estava programado para este ano. De janeiro a setembro, dos R$ 91,5 bilhões estimados, apenas 37,4% foram investidos. Isso significa que somente R$ 34,3 bilhões foram aplicados. É o menor volume desde 2008, quando o mundo mergulhou na crise financeira por causa da quebra do setor imobiliário dos Estados Unidos.

As estatísticas do Ministério do Planejamento não levam em conta os dados dos últimos três meses deste ano, que serão conhecidos no início do ano que vem. De janeiro até setembro, a Petrobras foi a estatal que mais investiu. No entanto, desembolsou apenas 40% do que estava projetado. Ela também foi uma das empresas que mais enxugou o quadro para tentar se reerguer. Um movimento nada isolado entre as estatais e que deve continuar.

Programas de incentivos para demissões voluntárias estão em alta. Desde 2014, foram cortados 46 mil postos de trabalho. Em 2017, o trabalho dos departamentos de Recursos Humanos foi mais intenso. Isso porque a maior parte dessas demissões foi feita este ano: 26.336 funcionários deixaram as empresas nos três primeiros trimestres. De acordo com boletim trimestral das estatais, a petroleira demitiu 7,95% dos servidores. Foram cortados 4.019 empregados. Já o número de cargos na Caixa Econômica Federal diminuiu 7,58%. O Planejamento informou que 7.199 deixaram a instituição financeira, que fez um programa de demissão voluntária. Os Correios dispensaram 7.129 pessoas, e o Banco do Brasil demitiu 2.676 empregados. Hoje as estatais empregam 506.852 pessoas.

— O objetivo é recuperar estatais, reduzir custos, elevar produtividade. Aproximá-las de indicadores de mercado, e as estatais têm que apresentar sustentabilidade — explicou Fernando Antônio Ribeiro Soares, secretário de empresas estatais do Planejamento. — E o número de funcionários deve ficar ainda menor que esses 506 mil. Terminar 2017 com menos de 500 mil nas estatais é plenamente factível de se realizar.

Todos esses cortes foram motivos da melhora das contas das empresas federais. O resultado líquido das estatais em 2015 foi de déficit de R$ 32 bilhões. Ficou no azul em R$ 4,6 bilhões no ano passado. Até o terceiro trimestre deste ano está está com lucro de R$ 23,2 bilhões. No mesmo período de 2016, havia um desempenho positivo de R$ 8,7 bilhões. Os conglomerados (BB, BNDES, Caixa, Eletrobras e Petrobras) representam mais de 95% dos ativos das empresas federais.

Também foi ressaltado o aumento do valor em bolsa das ações de empresas estatais. Os papéis da Petrobras subiram 7,8% no terceiro trimestre deste ano frente a igual período do ano passado. O valor de mercado da petroleira chegou a R$ 203 bilhões. Já as ações do Banco do Brasil aumentaram 53,1%. O valor de mercado da instituição financeira chegou a R$ 100 bilhões.

Além de melhorar o caixa das empresas, a equipe econômica quer diminuir o número de companhias sob a tutela do Estado. Atualmente, há 149 empresas do governo federal. Em 2016, elas eram 154.

O movimento de redução deve continuar nos próximos anos, numa tentativa do governo de enxugar gastos e aumentar eficiência. Um exemplo é a venda do controle da Eletrobras, que sairá das mãos do governo. O projeto de privatização está na Casa Civil e deve ser encaminhado ao Congresso Nacional nos próximos dias. Também entram na lista de empresas que devem sair do guarda-chuva do Estado as subsidiárias da Petrobras.

— O último pilar que temos para continuar enfrentando é o equilíbrio fiscal. Nessa busca, o ajustamento do tamanho do estado é necessário. Isso reflete também na redução do número de estatais —frisou o secretário.

Fonte: O Globo, 05 dez. 2017

by vm2

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