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Voltar 25/07/2018 - DCI

INVESTIMENTOS

Intenção de investimento da indústria continua baixa em um cenário incerto

Apesar da melhora dos índices de produção e do otimismo em relação à demanda interna e exportações, incertezas na economia e impactos da greve adiam tomada de decisão das empresas

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A intenção da indústria brasileira de investir segue em ritmo de queda, apesar do maior otimismo em relação à demanda interna e às exportações. O cenário de incertezas e a capacidade ociosa estão adiando novos aportes.

“O investimento é um compromisso de longo prazo, necessita de maior segurança. Desde o começo do ano, existe uma frustração com o ritmo de expansão e não há perspectiva de crescimento mais forte”, avalia o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo Azevedo.

Divulgado pela entidade nesta terça-feira (24), a sondagem industrial de junho mostrou a 5º queda consecutiva do índice de intenção de investimento. Foi registrada recuperação da produção e dos estoques em relação a maio, mês fortemente afetado pela paralisação dos caminhoneiros. Porém, outros efeitos da greve ainda afetam a indústria. “Houve uma melhora no estoque e na atividade, esses efeitos pontuais da greve já foram revertidos em junho. Mas há impactos mais duradouros, como alta do custo da matéria-prima e dificuldades com logística”, aponta Azevedo.

O economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Mauro Rochlin, entende que as melhoras de junho foram apenas reposições das perdas com a greve. “A economia já vinha desacelerando antes e a greve consolidou essa tendência”, destaca.

Para o professor de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais de São Paulo (Ibmec/SP), Walter Franco, a indústria entende que há uma recuperação, mas fatores macroeconômicos não trazem segurança para novos investimentos. “O empresário vê uma demanda fraca, problemas de logística, entre outros problemas. Ainda há uma certa confiança, mas ele investe pouco, porque não está 100% seguro.” Azevedo tem uma leitura semelhante. “O empresário acredita que vai ter aumento da demanda de produtos e que vai comprar mais matéria-prima, mas dada a atual situação financeira, esse otimismo não se traduz em maior investimento”, assinala.

O economista sênior do Banco MUFG Brasil, Carlos Pedroso, destaca que a recuperação de junho não atingiu patamar anterior à greve, pelos impactos diversos para cada setor. “Para bens duráveis, o produto foi entregue com atraso. Mas para bens não duráveis, como alimentos, houve perda de produção, como no caso do setor avícola, em que frangos morreram por falta de ração. Nesse caso, a recuperação não será tão rápida.”

Azevedo revela que a CNI está finalizando o processo de revisão de expectativas para o ano. “Há um viés de queda, sem dúvida. Além dos efeitos pontuais da paralisação, houve um impacto na confiança, que tende a ser mais duradoura e adia as decisões de investir e aumentar produção.”

Ele também cita o tabelamento do frete, o fim de créditos tributários como o Reintegra e a oscilação cambial como fatores de impacto negativo na atividade industrial. “A variação [do dólar] está muito grande, é terrível para o planejamento. Mesmo para quem exporta, não permite definir preços. Tornou-se uma grande preocupação para importadores e exportadores.”

Pedroso afirma que, embora a perspectiva tenha piorado, a tendência de recuperação econômica se mantém. “O mercado já vinha revisando as projeções desde março. O cenário de investimento ficou mais difícil, também por conta da capacidade ociosa e eleições. Mas a trajetória de crescimento anterior à greve não foi interrompida.” A sondagem mostrou que a utilização da capacidade instalada está em 66%, três pontos percentuais acima de maio. “Não é magnífica, em um ano de recuperação deveria estar superior. Mas é o melhor índice para junho desde 2014”, destaca Franco.

Mão-de-obra e crédito

A expectativa de emprego apresentou ligeira melhora em relação a maio, mas ainda abaixo do patamar de abril. “Não há perspectiva de grandes contratações e nem de demissões. É muito caro demitir e treinar novos funcionários", avalia Franco.

Na avaliação da indústria, também houve piora no acesso ao crédito. “Ficou mais difícil, tanto pelo lado do sistema financeiro, por haver um critério mais rígido, quanto pelo lado das empresas, que não estão investindo. Não adianta ter taxa de juros baixa se não há demanda”, explica Pedroso.

O economista sênior do Banco MUFG Brasil prevê que variáveis do mercado podem dar maior peso ao crédito interno. “Com a recuperação da economia, câmbio desvalorizado e aumento de juros lá fora, poderemos ver no próximo ano a competitividade do mercado doméstico crescer e trazer a perspectiva de um maior papel do crédito interno.”

Fonte: DCI, 25 jul. 2018

by vm2

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