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Voltar 04/07/2018 - O Globo

COMÉRCIO EXTERIOR

PARA GANHAR MERCADO, UM CAMINHO DE ADAPTAÇÃO AO CLIENTE LOCAL

Companhias lançam produtos, investem em subsidiárias e em logística para ampliar presença

Desafio. Sergio Leite de Andrade, presidente da Usiminas, cita ambiente protecionista como entrave à expansão

Produtos específicos para o mercado internacional, abertura de subsidiárias no exterior e investimento em processos logísticos para reduzir os custos e aumentar a eficiência são algumas das apostas de empresas brasileiras para crescer no mercado internacional. Mas os empresários alertam que é preciso mais aporte em infraestrutura no Brasil, principalmente em transporte, como em ferrovias e portos, para que os produtos brasileiros ganhem mais competitividade mundo afora.

A trajetória da Forno de Minas, empresa de alimentos conhecida pelo pão de queijo, ganhou novo capítulo em 2009, quando os fundadores recompraram a marca que haviam vendido a uma companhia americana dez anos antes. Helder Mendonça, presidente executivo da Forno de Minas, diz que “houve uma parcela emocional forte na decisão de retomar o negócio", pois a marca não estava mais no mercado.

Para reerguer o negócio, o caminho escolhido foi voltar a crescer não só no Brasil como no exterior, com uma equipe dedicada à operação lá fora. A escolha foi manter o nome do produto em português, como forma de preservar a originalidade da marca e focar, no início, nos brasileiros que vivem fora do país.

— Criamos uma subsidiária nos Estados Unidos e passamos a investir em estudos para entender o comportamento do consumidor americano. O pão de queijo que vendemos lá é um produto assado que leva cinco minutos para ficar pronto. Também mudamos a embalagem para ficar mais parecido com o gosto do americano. Vamos ainda lançar novos produtos como a versão multigrãos e em palito (sticker). E estamos desenvolvendo ações de divulgação por lá — disse Mendonça.

SOBRETAXA DE PRODUTOS O mercado internacional responde por 5% do faturamento da empresa, e a meta para 2020 é que as exportações cheguem a 10% dos negócios. O crescimento chamou a atenção de investidores internacionais. A fabricante canadense de batata pré-frita congelada McCain comprou 49% da empresa mineira este ano. A Forno de Minas vende para 15 países. Em locais como Japão e China, o teor de sódio foi reduzido em 40% em razão dos hábitos alimentares do consumidor.

Num setor distinto do de alimentos, a receita da fluminense GE Celma, de manutenção de motores aeronáuticos, foi apostar na eficiência logística para conquistar espaço. É para a fábrica da empresa em Petrópolis que vão motores de aviões de gigantes americanas como a Southwest Airlines e a Fedex. Criada na década de 1950, a companhia foi comprada pela GE nos anos 1990. Segundo o diretor presidente da GE Celma e presidente da Firjan na Região Serrana, Julio Talon, a guinada na atuação ocorreu em 2001, após os atentados de 11 de setembro. Com a retração no mercado mundial de aviação, a empresa cortou 70% da força de trabalho e voltou suas atenções para a exportação como estratégia de crescimento de negócios. Em 2018, a expectativa é que o faturamento chegue a US$ 2,2 bilhões. A meta da empresa é se tornar a maior em reparos aeronáuticos até 2020, quando espera chegar a 650 motores revisados por ano.

Como 96% da demanda vêm de fora do país, o prazo para revisão é crucial para a competitividade.

— Fazemos a logística porta a porta, buscamos o motor no hangar do cliente lá fora e fazemos a revisão em 65 dias. É prazo de 15 a 20 dias mais rápido que concorrentes de EUA e Canadá — explicou Talon. — Nosso desafio é lidar com as incertezas. O Brasil não é um país para amadores.

A agilidade é resultado de acesso a regimes especiais, como o Recof, concedido pela Receita Federal, o que viabiliza a importação e exportação de peças num intervalo médio de cinco a sete dias.

No setor de aço, por sua vez, o desafio é aumentar as exportações, na avaliação de Sergio Leite de Andrade, diretor-presidente da Usiminas, que no ano passado exportou 600 mil toneladas, cerca de 20% de sua produção. O Brasil é hoje o quinto maior exportador líquido de aço do mundo, com 15 milhões de toneladas embarcadas para mais de cem países, dos quais somente os Estados Unidos respondem por um terço desse total.

— No campo do aço, enfrentamos problemas. O grande desafio de aumentar as exportações para o país ter sucesso como exportador é a logística, que é delicada pois falta ferrovia e é preciso modernizar portos. E do momento em que conseguimos embarcar os produtos, também enfrentamos o desafio do frete, que no Brasil é um dos mais elevados do mundo. Esse problema de logística é extremamente grave.

Além de citar o peso do custo Brasil nas exportações, o executivo mostrou preocupação com a onda de protecionismo desencadeada pela decisão dos Estados Unidos de sobretaxar em 25% o aço:

— Vivemos num mundo em que os EUA deram partida ao protecionismo. E com isso houve uma reação mundial. Agora, a Europa estuda salvaguardas, que, na verdade, seriam a aplicação de sobretaxas ao produto importado. A Turquia já iniciou em abril. México e Canadá estão estudando. Há turbulência no mercado internacional. Apesar de o Brasil ter negociado cotas de exportação com os EUA, no lugar de sobretaxa, elas vão limitar o mercado. Isso nos traz a patamares inferiores ao que era praticado em anos recentes. Será que cabe um Brasil liberal num momento protecionista? — pergunta.

“Vivemos num mundo em que os Estados Unidos deram partida ao protecionismo. E com isso houve uma reação mundial. Agora a Europa estuda salvaguardas. (...) Será que cabe um Brasil liberal num momento protecionista?” Sergio Leite de Andrade Diretor-presidente da Usiminas

“Houve uma parcela emocional forte na decisão de retomar o negócio” Helder Mendonça Presidente executivo da Forno de Minas

“Nosso desafio é lidar com as incertezas. O Brasil não é um país para amadores” Julio Talon Diretor-presidente da GE Celma e presidente da Firjan na Região Serrana

“A saída era acelerar nossa estratégia de expansão para sermos uma empresa de classe global, capaz de competir internacionalmente” Bruno Mondin Vice-presidente executivo da Stefanini

“É preciso entender que ser competitivo no exterior vai tornar a empresa mais produtiva no mercado doméstico” Leonardo Pereira Rodrigues Superintendente da área de Comércio Exterior do BNDES

“É importante ampliar o incentivo à participação em feiras internacionais, que é onde o produto ganha mais visibilidade” Stelmo Carneiro Neto Diretor comercial da Condor

“O Brasil nos últimos 45 anos desenvolveu uma agricultura baseada na ciência. Isso tudo foi possível com pesquisa, desenvolvimento e inovação” Celso Luiz Moretti Diretor executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa

Fonte: O Globo, 04 jul. 2018

by vm2

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